em 2010, ganhei da amiga Christianny Diógenes, companheira de luta e AJUP, o livro "A (re)invenção dos direitos humanos", mas, por falta de tempo e por outras questões profissionais, não pude me aprofundar como deveria.
felizmente, a disciplina "Teoria crítica dos Direitos Humanos" - e mais uma vez sou só agradecimento às professoras Vanessa e Luciana - não só trouxe Herrera Flores na bibliografia como me fez estudar a fundo dois textos importantes - sendo um deles parte desse livro citado. os textos são:
- Direitos Humanos, interculturalidade e racionalidade de resistência
- Colonialismo e violência
Herrera Flores traz uma visão descolonial e emancipadora dos direitos humanos que foge à visão tradicional a que estamos acostumados. no primeiro texto, o autor faz uma crítica ao multiculturalismo, abordando o clássico impasse relativismo cultural versus universalismo, e aponta a interculturalidade e a racionalidade de resistência como caminho para enfrentamento do tema.
para Herrera, precisamos desenvolver uma convivência intercultural para além da prática multicultural que crie condições de desenvolvimento das potencialidades humanas, além de uma resistência ativa que enfrente o discurso colonizador e empodere os excluídos da sociedade. para ele, direitos humanos são justamente os “meios
discursivos, expressivos e normativos que pugnam por reinserir seres humanos no
circuito de reprodução e manutenção da vida, permitindo espaços de luta e
reivindicação”.
no segundo texto, o autor aborda quatro mecanismos do difusionismo colonialista, mostrando como generalização abusivas impedem o conhecimento da complexidade do outro, os efeitos do backlash colonialista e as implicações do humanismo abstrato que, partindo de uma suposta superioridade de alguns países ocidentais, acabam por "justificar" violações de direitos e intervenções em países supostamente incapazes da prática democrática. Herrera mostra também como as categorias coloniais impedem o desenvolvimento de muitas potencialidades humanas e como agem na percepção que os excluídos possuem de si, notadamente pela construção de estereótipos que os inferioriza e os relega à condição de seres incapazes de movimento e transformação.
além de nos mostrar um novo modo de olhar para os direitos humanos, Herrera Flores nos dá a esperança de um Direito como instrumento de luta e transformação social, tão em falta nas prateleiras e nas salas de aula em tempos de golpe.
inspiração e fonte de ânimo! vale muito!
Rio de Janeiro, 30 de maio de 2016
Roberta Laena

