terça-feira, 24 de maio de 2016

a necessária defesa do feminismo e dos direitos das mulheres


hoje vou fugir da proposta do blog para manifestar total apoio aos cajupianos e cajupianas que se sentiram indignados com o evento ocorrido em Quixadá-CE, na UniCatólica. A nota abaixo explica o ocorrido:

NOTA DE REPÚDIO AO EVENTO ACADÊMICO “BELA, RECATADA E DO LAR”
O Coletivo de Assessoria Jurídica Popular (CAJUP-Sitiá) vem por meio deste espaço manifestar o seu repúdio ao evento ocorrido hoje a noite no Auditório Raquel de Queiroz, nas dependências do Centro Universitário Católico de Quixadá. O evento objetivava tratar da polêmica surgida à época da publicação de matéria pela revista Veja que tinha como manchete de capa a atual primeira-dama do país, Marcela Temer, e tinha como título: “Bela, recatada e do lar”.

O evento tratou de temáticas como o Feminismo, Preconceito, Sociedade Patriarcal e Ideologia de Gênero. Na mesa, professores dos cursos de Direito, Psicologia e Filosofia. Durante o ocorrido, os convidados da mesa criticaram o Movimento Feminista, culpabilizaram a mulher pela opressão social sofrida, questionaram o valor das lutas por emancipação feminina e defenderam uma postura de rejeição a movimentos ideológicos que defendem os direitos das mulheres.
O CAJUP-Sitiá reforça sua postura contrária ao evento de discurso único ocorrido hoje à noite na instituição, que oprime a mulher e a põe como maior responsável pelo preconceito e a submissão a que sofre. Repudiam-se aqui os discursos de ódio contra qualquer movimento que luta por direitos de equidade entre homens e mulheres e que tentam tornar a ideologia religiosa e patriarcal um discurso universal e naturalista que aliena sujeitos e impede a emergência da reflexão crítica, do livre diálogo e torna impotente a luta secular de mulheres, negros e homossexuais, por exemplo, na tentativa de se adquirir respeito, espaço e garantia de direitos, excluídos pela comunidade em nome da posição social, raça, orientação sexual ou gênero dos sujeitos vítimas dessa realidade histórica em nossa sociedade.

Autor: Jeferson Saldanha

os motivos do meu apoio:

primeiro porque, parafraseando Trudeau, nós estamos em 2016! (o primeiro-ministro canadense, questionando sobre a importância da igualdade de gênero, respondeu "porque estamos em 2015", vejam o vídeo: https://m.youtube.com/watch?v=LLk2aSBrR6U).

segundo: não dá para concordar com qualquer discurso que atente contra os direitos humanos das mulheres, ignorando todos os efeitos do patriarcado e da discriminação conta a mulher, em especial as diversas formas de violência. qualquer fala nesse sentido é uma afronta à Constituição e aos tratados internacionais, é uma afronta às leis mas, sobretudo, é uma afronta à concepção de dignidade humana e um desrespeito a todas as mulheres reais que já foram vítima de preconceito e violência.

ademais, nada mais machista que colocar na mulher a culpa pela opressão social sofrida e quem assim o faz admite-se opressor, - a culpabilização é umas das técnicas da produção de subjetividade capitalística. (GUATARRI; ROLNIK, 1986). 

por fim, questionar o valor das lutas pela emancipação feminina, atacando o feminismo, mostra desconhecimento da história e conivência com as opiniões que defendem a superioridade masculina. porque não é por outra coisa que luta o movimento feminista, senão pela igualdade e pelo fim da violência e da discriminação: é para que a professora mulher receba o mesmo salário do professor homem, já que ocupa a mesma função; é para que a estudante tenha o direito de terminar o namoro sem ser agredida pelo namorado; é para que a funcionária não apanhe do marido quando ele bebe; é para que a dona de casa, recatada ou não, não perca sua vida porque um homem se acha no direito de decidir seu destino. 

se essa luta emancipatória não tem valor e é rechaçada em um Estado Democrático de Direito, precisamos refletir muito e urgentemente acerca de que seres humanos nos tornamos e de que humanidade falamos quando defendemos as leis e a Constituição.

lamentável a defesa contrária ao feminismo por professores universitários de diversas áreas, ainda mais sem permitir o contraponto. essa prática vem se repetindo em outras IEs, em eventos e nas redes sociais, infelizmente. perde a democracia, perdem as mulheres, perdemos todos nós.

Rio de Janeiro, 24 de maio de 2016.

Roberta Laena



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