segunda-feira, 23 de maio de 2016

direito e arte


sim, podemos aprender muito com filmes, isso não é nenhuma novidade. mas talvez a maioria das pessoas no Direito, no ensino jurídico, não tenha despertado sobre o que isso realmente significa. os filmes são indicados (quando o são) como complemento, muitas vezes sem debate em sala de aula. ou, então, alguns professores, os centros acadêmicos ou as comissões de formatura organizam eventos com pipoca. 

isso é bom? claro! mas o uso dos filmes ainda é eventual, sem tanta relevância. bom seria se houvesse uma sistematização e a utilização desse e de outros recursos nas disciplinas, constando dos programas. ou grupos específicos sobre o tema. romances, dramas, documentários, filmes inteiros ou trechos. e os docentes poderiam se guiar pelas obras sobre direito e cinema que circulam Brasil a fora. há muito!

o que dizer, então, da literatura! nós brasileiros possuímos uma literatura riquíssima, o mundo tem contribuições maravilhosas, mas nossas salas de aula no Direito pouco fazem uso das obras literárias. há exceções, claro - há Lenio Streck e o Direito e Literatura - http://www.leniostreck.com.br/lenio/direito-e-literatura, tanto no youtube como em coletâneas sobre as obras. estou falando de modo geral, dos cursos cada vez mais "cursinhos para concurso", nos quais muito se ensina a decorar e pouco se ensina a pensar, e pouco ou quase nada utilizam a literatura como metodologia de ensino e pesquisa.

aqui no Doutorado (PPGD/UFRJ) há dois grupos de pesquisa nessa linha, um chamado Direito e Cinema e outro sobre Direito e Literatura. ainda não consegui participar efetivamente, por choque de horários, mas tenho tentado acompanhar pelos grupos no face e pelos colegas que passam as dicas (é sempre maravilhoso ter colegas passando dicas) e cada vez mais vejo como é importante essa aproximação direito e arte.

então, façamos uma reflexão sobre isso. colegas professores, pensem em filmes e livros para suas disciplinas. alunos, cobrem dos docentes, apresentem sugestões, tomem iniciativas. colegas coordenadores, apoiem e incentivem ações envolvendo direito e arte. 

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2016.

Roberta Laena

p.s. dicas de documentário para entrar no clima: She's beautiful when she's angry, sobre a segunda onda do feminismo nos EUA; Requiem for the Americam dream, depoimentos do Chomsky sobre a democracia; Escolarizando o mundo (pra quem não foi meu aluno ou perdeu o Cine DH do CAJUP sobre ele). netflix e youtube disponibilizam. dicas de literatura: Abril Despedaçado (Ismail Kadaré); Ensaio sobre a Cegueira (Saramago), Americanah (Chimamanda). google.com...




3 comentários:

  1. Se nós docentes soubéssemos o potencial educativo que os filmes têm, creio que grande parte dos professores os utilizariam, sem falar que torna a aula mais interativa e interessante. Boa reflexão Roberta!
    PS: no momento estou lendo o romance Americanah da Chimamanda e a reflexão sobre mulheres negras muito interessante!

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    1. Não dá pra saber quem é, mas concordo. Sem dúvida, Temos que mudar essas aulas monótonas e sem reflexão! O livro dela é ótimo! Adorei!!! :)

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  2. Se nós docentes soubéssemos o potencial educativo que os filmes têm, creio que grande parte dos professores os utilizariam, sem falar que torna a aula mais interativa e interessante. Boa reflexão Roberta!
    PS: no momento estou lendo o romance Americanah da Chimamanda e a reflexão sobre mulheres negras muito interessante!

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